quarta-feira, 30 de março de 2011

os russos...

Como disse há alguns dias, vieram-me às mãos, as contemporâneas Ginga e Artemisia. Agora dou-me conta que vieram dois escritores russos, melhor, dois livros que se passam na Rússia.
O livro dos destinos é de Anne Wiazemsky, o original é em francês, Une poignée de gens. Mas gostei mais do nome traduzido, pois livro dos destinos é um tipo de diário na Rússia (pelo menos nos tempos antigos era assim chamado). Essa explicação está logo no início do livro. A autora, Anne Wiazemsky, nasceu em Berlim, em 1947. É neta do escritor François Mauriac (prêmio Nobel de Literatura de 1952) e de um príncipe russo exilado, Ivan Wiazemsky. O Mauriac é de Bordeaux e tem um livro sobre a cidade, que quero ler.
O Livro dos destinos se passa na 1ª guerra, percorre entre a ficção e o livro dos destinos de seu tio-avô, o qual ela recebeu em 1994 de um parente distante. É um livro envolvente, bem escrito, e nos revela uma história da dor e do sofrimento dos nobres, na revolta do povo sob a infiltração de agitadores do partido comunista.
O outro livro é de um russo que nasceu em 1967, Wladimir Kaminer. Ele é por vezes engraçado, tem um estilo interessante, mostra uma contracultura russa, um descrédito no sistema, perto do fim. Bem, sei lá até quando vai o livro, na altura (como dizem em Portugal) estamos na Perestroika, lá por 1986. Militärmusik, como sugere o nome, "é uma marcha militar, música cuja cadência permite marcar o passo das marchas; andar relativamente depressa, caminhar em frente durante um longo período de tempo ou caminho (Diconário Duden)".
Em poucos dias adentrei a Rússia, com olhares perspicazes, de meus guias escritores, em textos fortes de uma União Soviética por se formar e chegando ao seu final. E os dois livros misturam ficção e biografia, acho que uma tendência na literatura atual, sei lá.
 Esses livros, eu os comprei em Portugal, O livro dos destinos foi na livraria da  Cinemateca de Lisboa, pois Anne Wiazemsky foi atriz "por acaso". Trabalhou com a nata da malandragem, como Bresson, Godard (com quem se casou em 1967), Pasolini, Marco Ferreri, Phillipe Garrel e André Téchiné, segundo a orelha do livro.
E o Militärmusik, eu o comprei em meio a uma meia dúzia, em uma livraria, no Porto, e me custaram 12 euros, os seis, num balaio de liquidação de uma editora.
Assim, chegaram-me esses dois livros, que me tem feito refletir sobre umas tantas coisas externas, da Rússia, e internas, dos modos de vida, dos sentimentos... das escritas, dos escritores...

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